A saúde pública em Aracaju, escreve o médico sanitarista Antonio Samarone

por Antonio Samarone*

Higéia e Panacéia, filhas de Asclépio, vivem de mãos dadas em Aracaju.

A atenção primaria é, sobretudo, medicina preventiva. Com o tempo, o SUS foi cedendo as armadilhas dos modelos da medicina comercial. Vende a ilusão de eficácia. A atenção integral perdeu espaço para a tríade: consulta – exames – remédios. Custos elevados e baixo impacto epidemiológico.

A Prefeitura de Aracaju, está retornando os princípios do SUS, priorizando a Saúde Pública. A Secretária Débora Leite, anunciou a consolidação do Programa de Fortalecimento do “Cuidado em Saúde Mental, na Atenção Primária à Saúde” (PROAPS – Saúde Mental) como referência no acolhimento emocional dos pacientes.

Um avanço esperançoso. Na Saúde, a Prefeita Emília está no caminho certo.

Um programa com o nome comprido, que precisa ser explicado. Muitos usuários da rede básico, apresentam um sofrimento, sem doenças evidentes. O acolhimento ser feito por um psicólogo, por exemplo, garante maior resolutividade do serviço.

Estamos acostumados com ações supostamente curativas: procedimentos, consultas, receitas, exames, internamentos, medicamentos, que nem sempre é a melhor conduta. O sofrimento humano é complexo, raramente responde ao que o mercado oferece. 

Aracaju ensaia o fortalecimento da Saúde Pública. A saúde é filha da qualidade de vida e de uma assistência integral e holística. As políticas de doenças, voltadas para o consumo de serviços, insumos e ofertas eventuais de mutirões de procedimentos, são ineficazes e caras.

Em Sergipe, o uso político e distorcido desse desejo à saúde, levou que, no último meio século, os secretários estaduais de saúde, tornaram-se os Deputados Federais mais votados. Preciso lembrar os nomes?

A rede do SUS é de Saúde. Superamos o postinho médico, atendendo doenças agudas: sintomas/medicamentos. A ação é integral e o paciente acompanhado a longo prazo.

Vivemos uma epidemia de transtornos mentais. Depressão, ansiedade, TDAH, TOC, autismo. Um número elevado de alunos da escola básica são atípicos. O "PROAPS" pode atender a essa demanda. O único reparo: o programa não contempla menores de 18 anos. Não entendi essa restrição.

Enquanto o Estado insiste em mutirões politiqueiros, o município do Aracaju, enxerga mais longe: prioriza a prevenção e os programas de saúde pública.

Depois da aposentar-me no cargo de professor de Saúde Pública, da medicina da UFS, confesso que reduzir as leituras especializadas em saúde.

Estou cuidando da Cultura, em Itabaiana.

Vejo com tristeza o abandono do modelo assistencial do SUS, previsto na Lei Orgânica da Saúde. Denomino o meu Blog: Em defesa das Causas Perdidas. O neoliberalismo não convive com o direito à Saúde. Tudo vira mercadoria.

As utopias não morrem, Aracaju aponta uma estrela.

Portanto, sinto a iniciativa da Saúde do Município do Aracaju, em fortalecer as ações humanizadas e preventivas, fortalecendo o acolhimento, e oferecendo ações básicas em saúde mental, na rede básica, como um sopro de esperança na Saúde Pública. 

Esse exemplo, precisa ser copiado!

*Antonio Samarone é médico sanitarista.