Formação reúne religiosos e sindicatos na prévia para 32º Grito dos Excluídos

"No rosto sofrido dos pobres encontramos impresso o sofrimento dos inocentes e, portanto, o próprio sofrimento de Cristo" (Papa Leão XIV, Dilexi Te, n.9)

"Lutar e crer, vencer a dor, louvar ao Criador. Justiça e paz hão de reinar e viva o amor!", essas foram algumas das palavras cantadas no Encontro de Formação Preparatório para o Grito dos Excluídos 2026.

'A Doutrina Social da Igreja e o Grito dos Excluídos' foi o tema da atividade que reuniu religiosos, professoras, estudantes e demais trabalhadores no bairro Porto Dantas, na Comunidade Coqueiral, na Zona Norte de Aracaju, no último sábado, dia 1° de agosto.

A atividade preparatória para o Grito dos Excluídos 2026 contou com orações, leitura de trechos da Bíblia Sagrada, debates sobre a realidade social do Brasil e canções.

Em tom de oração, as Irmãs Terezinhas clamaram a Jesus Cristo: "fortalecei todas as mulheres que, com coragem e esperança, erguem a voz em defesa da vida e da dignidade, da terra e da moradia, que sejam respeitadas em seus direitos e reconhecidas como protagonistas na construção de uma sociedade mais fraterna e solidária".

O Padre José Soares, da Paróquia São Pedro Pescador, falou sobre a necessidade de compromisso com políticas públicas que garantam terra, trabalho e condições de vida para todos e citou a Encíclica do Papa Leão XIV.

"No rosto sofrido dos pobres encontramos impresso o sofrimento dos inocentes e, portanto, o próprio sofrimento de Cristo" (Papa Leão XIV, Dilexi Te, n.9).

No momento de oração, o padre Soares rogou para que possa florescer justiça onde há violência, diálogo onde há divisão e esperança onde há sofrimento. "O Grito dos Excluídos é o momento de rever a nossa fé, pois somos diferentes: igreja, sindicatos, movimentos sociais. Por isso te pedimos a graça da conversão e de convivência fraterna", disse.

Durante o debate político, a professora Tereza fez um apelo para a necessidade de creches nos bairros das periferias de Aracaju.

"A gente vê os governantes gastando o nosso dinheiro à toa com festas, enquanto nossas crianças estão esperando uma vaga na escola pública para estudar. Não tem escola para essas crianças... Falo em nome dessas mães e pais de família que recebem um salário mínimo e, sem creche, sem vaga na escola pública, não tem com quem deixar seus filhos para trabalhar. O meu grito denuncia a falta de escola para nossas crianças que ficam à toa nas praças, e precisam estudar, aprender, para quando crescer tenham trabalho digno e não fiquem mendigando de porta em porta e reféns dos maus políticos", criticou a professora Tereza.

Como o tema do 32º Grito dos Excluídos é: "Vida em Primeiro Lugar! Na Defesa da Terra, da Paz e da Moradia, Erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania", as professoras Núbia Dias e Josefa de Lisboa, do Departamento de Geografia da UFS foram convidadas a conduzir o debate político. Acesse o link e confira no Instagram da CUT Sergipe um trecho dos debates realizados.

O professor Roberto Silva, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-SE), avaliou que a atividade política e religiosa que reuniu diferentes gerações foi fundamental.

"Foi uma importante formação que construímos juntos no Bairro Porto Dantas, em preparação ao Grito dos Excluídos 2026 que acontecerá no dia 7 de setembro. Lembramos que a concentração para o Grito dos Excluídos será às 8h da manhã na Catedral Metropolitana de Aracaju, seguiremos em marcha até a Avenida Barão de Maruim, onde entraremos no Desfile Cívico para gritar por: Vida em 1º lugar, o direito à terra, à moradia, mulheres vivas e soberania!".

Participaram da Formação preparatória para o 32° Grito dos Excluídos religiosos da Paróquia N. Senhora de Fátima - Marcos Freire II, da Paróquia N. Senhora de Guadalupe - Coqueiral, Paróquia São Pedro Pescador - Bairro Industrial e Paróquia Bom Jesus dos Navegantes - Atalaia Nova.

Texto e foto Iracema Corso